cozinha de pensamentos

::.. Escrever é um ócio trabalhoso ..:: -- Goethe

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Finado

A gente nunca pode subestimar o fim. Quando penso que já cheguei lá, ainda tem mais para andar. Estrada tortuosa essa. Uma curva traz um paisagem insípida de sutil tranquilidade. Só não fique parado muito tempo aí, até um tijolo voar na sua cabeça dizendo que tem que se mexer. Vai, anda, porque o inferno é logo adiante.

Sim, como quero chegar neste infernal paraíso. O caminho é que está difícil. Quem falou pra usar as pedras do caminho como degrau, no mínimo, é balarino. Alías, quem pode não odiar aquelas sapatilhas. Tão lindas e graciosas no exterior, mas rijas e brutas, abraçam os dedos fazendo sangrar.

Eu detesto caminhar. Já dizem que com companhia é melhor - mas cadê? Quem quer fazer essa maratona também?! Quem quer abraçar quando faz frio? Quem quer ouvir quando não tem o que dizer? Esse alguém está perdido numa outra estrada.

Nem música contagiante, nem música triste. Neste caminho não há trilha sonora, mas a lembrança dela. Lembrança do que seria se estivesse naquela canção; não de que minha vida tenha produzido algum som. Um retumbante silêncio embalado à vácuo reside dentro. E dói, às vezes... várias vezes.

De todas coisas, esta viagem não é para ser lembrada. É para ser feita com a foice na mão. Corta-se o matagal à frente, sem pestanejar ou olhar para trás. Ao fazer isso, me encontro à mesa, segurando este lápis. Posso escrever ate onde o grafite aguentar, pois se a ponta quebrar, talvez chegue ao tão esperado fim.