cozinha de pensamentos

::.. Escrever é um ócio trabalhoso ..:: -- Goethe

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Sem resposta

- Que você tem?
- eu? nada...
- Está feliz. Só pode estar amando.
- q mané amando... já desisti de acreditar em homens [pela segunda vez]. agora 'aventura' é meu sobrenome.
- Nossa, então uma nova você está a surgir? Será isso release 2008?
- cansa ficar esperando pelo Prince Charming. aliás, mofei na cadeira, e tô tentando tirar o atraso. eu quero tudo que posso conseguir, mas sem me prender a ninguém. aliás, quer parar de evitar o gerúndio - parece que estou falando com um português fajuto.
- Ué, não era você que queria um namorado!? Cadê aquela careta que nasceu no século errado?
- pois é... mofou e morreu.
- Então estás mesmo de caso com alguém...
- é. digamos que um romance...
- E afinal, qual a diferença de romance e namoro?
- ah, romance não tem nada que ver com namoro. enquanto tiver bom pros dois, tá bom. quando um lado quiser mais, daí só pode virar namoro. e não estou nesse ponto. entao tô começando a me contentar. mas vc que deve me dizer. afinal, é vc quem tem namorada, e uns romances por fora, né?
- Mas eu já disse que queria algo mais com você. Você é que não deixa...
- Queria mais sacanagem, né? Me faz uma proposta dessas, sabendo que tem namorada? eu não mereço resto não. namorar vc é pedir pra levar chifre em 5 minutos.
- Mas me diga quem é seu namoradinho... Quero dizer, "romance'... Ele tem Orkut?
- tem.
- Deixe eu ver.
- não.
- Eu gravei dois novos CDs da Nina Simone. Você quer?
- nina simone é legal. Me manda os arquivos.
- Ué, eu gravo e levo pra você!
- hm, sei... vc vem aqui em casa para 'trazer o cd da nina simone' pra mim. sei.
- Sim, de brinde você ganha massagem especial. Eu sei que você está sempre com a nuca dolorida.
- vai te catar!
- Sabes que te gosto muito. Você é uma mulher inteligente, especial; do tipo que combina comigo. Até escrevi uns versos sobre você.
- uns versos?
- É, como muitos poemas levam anos para serem concluídos, está inacabado por falta de oportunidade de expandir meus horizontes sobre ou sob você.
- vc sempre tem q levar pra sacanagem... tô de saco cheio de caras como vc que se aproveitam de uma oportunidade pra se dar bem só pra aumentar as figurinhas do álbum.
- Eu sei que quando estamos juntos, temos uma química, uma coisa de pele.
- quer saber, vc sabe me encher.
- Então, vou poder passar aí que horas?
- passar aqui?
- É, pra levar os CDs da Nina.
- qual parte de 'não' vc nao entendeu?
- O que mulher diz que quer não tem nada a ver com o que ela realmente quer...
- ... [ sem resposta ]
- Afinal, passo aí que horas?

domingo, 25 de novembro de 2007

O pequeno príncipe e a raposa




E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou:

- O que quer dizer cativar ?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços...

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...

Mas a raposa voltou a sua idéia:

- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...

A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:

- Por favor, cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."



------ Já pensou que Antoine de Saint-Exupéry sabia muito do que ele falava?
------ Não tem como esse assunto ser mais do que contemporâneo. Não sou a única a se identificar com a raposa - ser 'selvagem', que preza a liberdade, mas que também se sente aborrecido por ela, às vezes. Pense bem, se aborrecer quando aparece um SUPOSTO pequeno príncipe? É ruim, hein!

------ Morte aos 'pequenos príncipes'. Até porque não queremos algo tão 'pequeno', mas sim alguém de porte mais nobre, como um Rei. You little boys, go run to you mamma´s apron.