cozinha de pensamentos

::.. Escrever é um ócio trabalhoso ..:: -- Goethe

domingo, 2 de novembro de 2008

NO KIDding - 40 razões para... pensar na vida

Não bastasse já ter uma lista enorme de pendências no quesito leitura, agora entrou mais um livro que vai encabeçar a lista. "No kid - Quarenta razões para não ter filhos" está tratando de forma bem direta algo que sempre me incomodou nas conversas de chás-de-panela e chás-de-bebê: prendas domésticas e maternidade sutilmente obrigatórias para as mulheres.

Pra começo de conversa, eu já não sabia se ia realmente encontrar Mr. Right... que dirá contemplar a idéia de maternidade. Sempre procurei me ocupar de forma útil e significativa, e minha vida nunca pareceu incompleta já que estive sempre ocupada com projetos pessoais tão interessantes.

Mas então apareceu o Saul, que preencheu um espaço agora cativo dele, do qual não me parecia ausente até então. Agora falar em filhos... será que eu deveria me sentir incompleta? Deveria me sentir culpada por não ter o mínimo desejo por ser mãe?

Nos tempos de "teacher" eu sentia bem canalizado esse lado maternal, no entanto, isso não me fez estimular a vontade de ter um filho. Adorava a companhia dos meus alunos, e ainda mais saber que eles logo voltariam para suas casinhas. Curto crianças, gosto de conviver com elas, mas na primeira ameça de choro, meu olhar já grita socorro pros pais.

Quanto mais amo e prezo minha medida de liberdade - ninguém é livre de verdade enquanto vivendo em sociedade - menos minha razão permite considerar que a maternidade é uma escolha razoável para a mulher. Definitivamente a mulher tem o lindo poder de conceber outra vida - obviamente não sozinha. Para a mulher, em especial, a maternidade é uma escolha ou um caminho sem volta. É ela quem eventualmente abre mão da vida social, carreira ou vaidade para esta profissão vitalícia. O pai também faz seus sacrifícios, mas que estão muito longe dos que são implícitos e subentendidos para a mulher. Portanto, a escolha para ter filhos ou não deve ser principalmente da mulher.

A sociedade ainda é cínica de não assumir que o preço é maior para a mulher. As pessoas ainda tem o ranço cultural de culpar uma mulher por optar não ser mãe.

Fomos ensinados a pensar na "herança" que os filhos podem ser, mas já considerou que isso é uma tremenda loteria? Já reparou que um filho não é igual ao outro? Alguns podem ser filhos "tranquilos" enquanto que outros, "rebeldes". Um filho pode apreciar os estudos, o outro, não. Uma criança que nasce com a síndrome de Down AINDA é uma preocupação para os pais que já estão numa idade avançada, pois muitos ainda não são preparados para serem independentes. E embora hajam esforços, ainda que pouco efetivos para integra-los à sociedade, isso não é uma realidade.

Não pense que não me agrada a idéia do arranjo familiar - acho-o lindo e perfeito - o que estraga a família são as pessoas. (rs)

Além desses fatores mencionados acima, penso que a vida anda tão atribulada e confusa que, no momento, não é um mundo legal para dar a seus filhos. Mudanças virão, com certeza...



The best is yet to come!