cozinha de pensamentos

::.. Escrever é um ócio trabalhoso ..:: -- Goethe

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Falar ou nao falar: eis a certeza!

Em reuniao com um dos meus varios chefes, eu ouco o seguinte comentario:

Eu respeito as pessoas que tem medo de falar.

Daih em diante, eu nao prestei atencao a mais nada. Fiquei perplexa de que o objetivo da reuniao foi discutir assuntos pontuais que dependia da contribuicao de todos no entanto ele ‘concordava com o medo de falar’. Que isso significa? Que tudo bem se todos saissem calados da reuniao?

Qualquer um entenderia que essa reuniao nao teria proposito alguem, fosse esse o caso. No entanto, a matraca aqui nao se controla. Eu juro pra mim mesma que serei mais uma ‘mumia paralitica’ na proxima reuniao, mas basta cutucarem minha ferida que a minha boca ganha vida propria.

As vezes fico pensando que talvez meu (um dos) chefe tava na verdade se referindo ao direito ao silencio. Eh inimaginavel pra mim a vida sem que eu possa expressar o que penso quando o momento pede para isso. Este sim seria o maior castigo que alguem poderia me dar.

Entao, no meio da reuniao, me vejo divagando sobre o que estariam estas ‘mumias paraliticas’ pensando. Sera que concordavam mesmo com o que estava sendo dito? Ou pior, sera que nao tinham nada de util pra agregar ao assunto em discussao? Divertido seria flagrar um fazendo uma lista mental do que fazer no fim de semana, ou mesmo a lista de compras do mercado. Ah, mais engracado ainda seria pegar alguem que sorri o tempo todo e descobrir que seu pensamento esta em despir as pessoas mentalmente.

Eh, cada um, um misterio. Eu, ja por outro lado, nao tenho misterio algum. Nao sobra porque a boca nao deixa. E sou tao feliz, mas TAO FELIZ quando falo aquilo que esta me apertando o peito, que me sufoca e faz doer a garganta e isto cai nos ouvidos que o TEM que ouvir. Um fluxo me invade de completo extase, que se tivesse maos me deixaria ate descabelada.

Tanto isso eh verdade, que mesmo com quase nenhuma visita a este blog, ja me sinto realizada de poder escrever sobre o que me der na telha, sem preocupacao de publico, julgamento ou consequencias.

Mas pensando mais um pouco sobre o tal comentario, me da um asco em suspeitar que poderia ser isso um atentado meu direito de expressao. Vindo de um “superior” (yeah right), aquilo podia quase ser uma ameaca. Por sorte nao foi este o meu pensamento na hora, pois o resultado seria eu levantando da cadeira sem muitas excusas e com um olhar de terror.